Cinzas de Agosto
Fatos e metáforas ao pó...
Sandra Ravanini
Corre à urgência domada o fracassado diapasão;
afina a traição engolindo a lágrima toxina
da água oxidada cuspindo o rogo de resina
na fôrma de mulher atrofiando a corda e o violão.
Cantante fome de pedra, esmeralda e maconha,
a guisa da inverdade e o brilho disfarçando a tez
do lapidário escoltado igual peça de xadrez
num refrão sem aplausos ao jogo das vergonhas.
O fantoche e a manequim invertendo o falsete
numa quase entrada, supondo enredo e carnaval
desservido, fantasiados de trapaça, o mau e o mal,
tanto faz...e assim, foram embora sem confetes.
Miquelângelo alando Lúcife; flerte eterno
em um disfarce de estrela enferrujada e velha
emoldurando o céu; ré tocando o breu daquela
rígida esmeralda apedrejando o próprio inferno.
16/08/2007